6º dia. Cochabamba a La Paz. 395 km

Primeiramente gostaria de fazer uma correcao: Quando falei mal do transito de Sta cruz de la Sierra, eu ainda nao havíamos chego a Cochabamba. A dispuita é violenta. Ainda pela manha saimos para conhecer o mercado de Cochabamba, o maior mercado a céu aberto da América do Sul. Merece o título. É enorme. As barracas sao montadas sobre as calcadas e na beira das ruas. Ali se vende de tudo. Frutas, verduras, roupas, eletronicos, animais vivos e tudo o que se possa imaginar. O mercado se alastra por vários quarteiroes e é muito fácil se perder. Muita gente grita anunciando seus produtos. O registro de imagens é meio complicado aqui. Uma senhora ameacou jogar cenoura em nós só porque a fotografávamos. Nao sabemos o por que, mas é meio institucionalizado em alguns lugares da Bolívia o proibir fotografar. Chega a ser uma contradicao já que os trajes sao multicoloridos e as feicoes produzem um grande apelo visual sempre pedindo uma foto ou uma filmagem. A Bolívia tem se mostrado até esse momento um país surpreendente em muitos aspectos, se o turismo fosse bem explorado, talvez o país fosse menos pobre.

Ainda nas primeiras horas saímos dos 2.550 metros de altitude para subir a Cordilheira dos Andes. Nao precisou mais do que 70 quilometros para atingirmos os 3.500 metros e antes mesmo do meio dia ja estavamos aos impressionantes 4.750 metros. A altitude torna as mais simples tarefas muito difícil. Uma simples saída da moto para ir a beira da estrada fotografar parece consumir todo o ar disponível. Nao chegamos até esse momento a ser atingido de maneira drástica pelo mal da altitude ou puna como é chamado. Até o momento apenas o cansaco tem se mostrado como o adversário a ser vencido.

A subida das cordilheiras é algo impressionante e inenarrável. Aos poucos a estrada vai se desenhando sobre uma geografia complicada e acidentada. Tem se a impressao de que se está indo pro céu, tamanha a subida que se alastra por dezenas de quilometros. As pequenas cidades vao dando lugar a vilas que parecem ter parado no tempo ou vindo de um filme de época. Sao casas de barro sem luxo nenhum geralmente rodeadas de muros de pedras para protecao de animais. Ha pequenos rebanhos de muares e ovelhas sempre pastoreadas por alguem vestido de trajes típicos bolivianos. É muito comum ver caes  a beira da estrada quase que a cada quilometro. Ficam ali inertes vendo o vai e vem dos veículos. Parecem ser caes pastores aguardando a hora de buscar os rebanhos. Tivemos os primeiros contatos com as ilhamas. Sao animais muito simpáticos mas bem ariscos. Ainda nessas vilas ficamos imaginando como é a sobrevivencia deste povo dos andes. Entramos numa pequena vila dessas, mas nao havia ninguém na rua. Fizemos algumas filmagens com a camera no capacete, andando no meio dessa pequena vila. O resultado ficou impressionante. Nao há como associar a nada que agente conheca em terras tupiniquins. É possível perceber que o solo é muito árido e seco.

Paramos num desse lugares para comer algo. Havia uma festa que seria seguida de um comício pró Evo Moralles. As criancas vieram e e rodearam as motos. Era possível ver o brilho nos olhos pelos nossos estranhos veículos. Enquanto ficamos ali fomos surpreendidos por uma pequena tempestade de vento em forma de tornado que passou varrendo o povoado. Todos seguravam seus chapéus e roupas pois o vento levantou toda aquela terra árida e formou uma grande nuvem de poeira que tornava a visao quase impossível. Conseguimos regsitrar com a filmadora que estava ligada no momento. Mas foram poucos segundos ja que tivemos que desligar o equipamento pra segurar nossas coisas na moto. Depois ao longo do caminho vimos várias formacoes daquelas em vários pontos diferentes mostrando ser um fenomeno comum na regiao. Percebemos também que as pessoas ja sabiam como se comportar ao enfrentar aquela situacao. Quando o centro da tempestade foi em direcao a duas senhoras, elas se jogaram ao chao e ficaram lá até o vento  mudasse para outro lado.

Chegando a La paz  tivemos uma visao impressionante a nossa direita. Haviam grandes picos nevados que podiam ser vistos de longe. Se destacavam no meio daquela paisagem e resolvemos entrar numa grande planície para poder ver melhor aquelas exuberantes montanhas brancas. Cortando por dentro de um povoado chegamos a um grande descampado onde consgeuimos apreciar sem nada nossa frente aquilo que para nós ainda é uma grande novidade: A neve eterna.

A regiao metropolitana de La Paz  é muito grande. As casa todas de tijolo sem reboco e sem pintar vao escalando os morros sem vegetacao dando um forte impacto visual diferente do que estamos acostumados. Quando entramos na cidade pensamos que havíamos pego uma via exclusiva para vans, ja que só havia esses veículos. Aos poucos descobrimos que é o transporte urbano da cidade. Estao em todo lugar por todos os cantos. Na sua maioria sao as americanas Nissan e as japonesas toyota. É preciso estar atento para andar no meio delas. Mudam de pista o tempo todo e o buzinaco é uma instituicao na Bolívia. Ja aprendemos.

Em La Paz encontramos o casal paulista Flavildo e Drica que sao amigos do Bonotto. Eles participam de uma comunida virtual de motocilcitas (Falonline.com) na qual o Bonotto é moderador.Os dois também estao viajando de moto pela América do Sul. Ficamos no mesmo hotel e já combinamos de amanha irmos juntos a Carreteira da Morte, eleita pelo Banco Interamericano como a estrada mais perigosa do mundo.

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14 Responses to 6º dia. Cochabamba a La Paz. 395 km

  1. Ricardo says:

    bom dia, estou viajando com vocês pelo rastreador, vejo sempre as fotos do satelite no lugar que vocês estão, por ali da para ter uma noção do terreno e com a tua narração, da para se colocar ai na situação… abraço vai fundo ta chow de bola…

  2. Ricardo says:

    A, mais uma coisa, hoje estou de aniverssario, voces dois estão convidados ta… ve se não se atraza… rsrs.

  3. Rigon Albert Hoch says:

    Bom dia Vantuir. Sobre os cachorros ao lado da estrada, entre Cochabamba e Oruro, segundo o que me informaram quando passei por ai, eles ficam ali parados esperando que os motoristas joguem alguma comida para eles. Inclusive, alguns caminhoneiros adotam um e sempre quando passam dão uma “esmola”.
    Abraço.

  4. Belos relatos! Imagino que de ser cansativo pra vocês essa parada para registrar e publicar esses momentos, mas para nós que estamos acompanhando é uma maneira muito prazerosa de nos transportarmos para essa grande aventura e desfrutar desse sonho que todos queremos e que vcs estão realizando.
    Estamos na torcida positiva!!!

  5. luiz carlos honorio says:

    Vantuir, suas narraçoes sao de algo em comum, fantastico, um capitulo do fururo livro, que ja estamos lendo a cada dia, valeuuuuuuuu

  6. Fabio Bombarda says:

    Caros amigos… parabens pelos relatos, com certeza faz que todos os dias eu passe por aqui pra ver as novidades.. muito bom mesmo, essa carona que estamos pegando …

    Quanto ao rastreador.. é show de bola… entrei no Google Earth, e ja pude ver algumas fotos da Carreteira da Morte… eita lugarzinho desgraçado que vocês escolheram para ir conhecer.. heimm.. só esta passagem pela Rota 3, ja é uma baita de uma aventura… Parabens a todos.

    Continuem com uma otima Viegem e boa sorte.

  7. Liofoods says:

    Olá Vantuir e Bonotto,
    Puxa fantástico até agora heim! Que bom que as coisas estão correndo bem até o momento e que as dificuldades estão sendo superadas! Vantuir, muito bom a maneira que vem relatando a viajem! Parabéns aos dois, Abraços e BOA VIAJEM! Liofoods

  8. Heron says:

    Vavá
    Vi o documentário na TV e entrei so site para conferir. Está muito legal, parabéns.

  9. Ivan Jr says:

    Olá viajantes

    Acompanho a viagem de vcs, e sempre que acesso o site da vontade de pegar a minha moto e fazer um mesmo! Aproveito pra fazer uma correção: A NISSAN é de origem japonesa também, e não americana.

    Abraços e Boa Viagem!

  10. Marcos - Papatrilha Motos says:

    Aí !

  11. enia zucchi says:

    oi,gente,to querendo fazer essa viajem sozinha,ir de cochabamba pra la paz e visitar o titicaca.e perigoso?qual o melhor jeito de me locomover nesse trajeto?fazer visitas c agencia?por favor,me deem umas dicas!bjs

  12. rui.san says:

    tenho 62 anos e uma falcom nx 400, estou em setembro 2012, querendo ir a cochabamba e a san pedro do atacama, saindo de porto alegre indo ate sp. ms e paraguai e seguindo ai a cochabamba, pergunta qual dificuldade com relação a clima, comunicaçao pessoal, moedas e pericos de assalto visto que irei sozinho. abraço rui.

  13. SONÍ says:

    estou pensando em morar na bolívia, pois estou indo a estudo e gostaria de saber qual é a melhor cidade pra morar la paz ou cochabamba? quero saber a diferença entre cada cidade em todos os aspectos.

  14. Ivan says:

    Ola qual o trajeto fizeram de Cochabamba a La Paz?
    Por Caracollo Sica Sica ou por cima pela RN25?

    Obrigado

    Ivan

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